Clínica Multiprofissional Synapser | A psicoterapia não é um medicamento de uso esporádico
Psicóloga explica por que a melhora dos sintomas não significa necessariamente o fim da psicoterapia e destaca a importância do autoconhecimento para manter o bem-estar emocional.
29/10/2026
Por @ClicdoVale | contato@clicdovale.com.br
Em Saúde e Bem-estar

Há algumas semanas, uma paciente me mandou uma mensagem dizendo que queria parar a psicoterapia. Quando questionada sobre o motivo, me respondeu: “Porque agora eu estou bem”. Ela havia voltado para a terapia há um mês. Nesse momento, percebi que muitas pessoas não entendem o processo psicoterapêutico.
Vivemos hoje em uma realidade em que tudo é muito rápido. Não existe espera ou tempo para que as coisas aconteçam: tudo tem que ser imediato. Mas nem tudo é. E é por isso que, muitas vezes, buscamos o alívio imediato, um medicamento que nos livre dos sintomas, mas, ao deixá-lo, tudo volta; a causa não foi tratada.
A psicoterapia se assemelha muito mais a um tratamento contínuo, daqueles que precisamos realizar por um período para alcançar resultados consistentes. Não porque precisamos estar mal o tempo todo, mas porque estar bem também é uma oportunidade de olhar para si, compreender padrões e construir novas formas de lidar com a vida.
É claro que cada pessoa tem seu próprio tempo, e não existe uma duração única para a psicoterapia. Há momentos em que precisamos de mais apoio, outros em que conseguimos caminhar com mais autonomia. O objetivo não é criar uma dependência da terapia, mas justamente ampliar os recursos para que possamos enfrentar as dificuldades da vida de maneira mais consciente e saudável.
A questão é que, muitas vezes, esperamos chegar ao nosso limite para procurar ajuda. Quando a angústia aperta, quando os conflitos se intensificam ou quando já não conseguimos lidar sozinhos com aquilo que sentimos. E, assim que a dor diminui, acreditamos que o problema desapareceu.
Mas será que não estamos confundindo o alívio com a transformação?
Imagine uma pessoa que passa anos tentando agradar a todos, deixando suas próprias necessidades de lado. Em algum momento, esse comportamento começa a gerar sofrimento, ansiedade e exaustão. Na terapia, ela encontra espaço para compreender de onde vem essa necessidade, reconhecer seus limites e aprender a se posicionar de outra forma. Se interrompe esse processo assim que se sente melhor, pode acabar voltando aos mesmos padrões diante da próxima dificuldade.

Isso não significa que o sofrimento seja necessário para crescer, tampouco que precisamos permanecer em terapia indefinidamente. Significa que compreender o que nos faz sofrer é tão importante quanto aliviar o sofrimento.
A psicoterapia não funciona como um remédio que tomamos apenas quando os sintomas aparecem. É um espaço de escuta, reflexão e construção. Um processo em que, aos poucos, aprendemos a reconhecer nossas emoções, questionar crenças, compreender nossas escolhas e desenvolver maneiras diferentes de nos relacionar conosco e com o mundo.
Talvez a pergunta não deva ser apenas “por que continuar se agora estou bem?”, mas também: “o que me ajudou a chegar até aqui e como posso sustentar esse bem-estar diante dos desafios que ainda virão?”.
Afinal, não procuramos um psicólogo apenas para deixar de sofrer. Podemos procurar também para nos conhecer, amadurecer e viver de forma mais coerente com aquilo que somos e desejamos.
Estar bem não precisa ser o fim do processo. Pode ser justamente o momento em que começamos a compreender o que significa, de fato, cuidar de nós mesmos.
Sobre a autora:
Marina Pellegrini é psicóloga, CRP 07/40785, formada pela Universidade do Vale do Taquari – Univates e especialista em Transtornos Alimentares pela ESPE. Integra a equipe da Clínica Multiprofissional Synapser.
Com mais de uma década de atuação, a Clínica Multiprofissional Synapser oferece diversos serviços com profissionais qualificados. Sob coordenação da fonoaudióloga Gisele Schaurich Rezende, a clínica atende em diferentes especialidades para cuidar integralmente de seus pacientes.
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