Obesidade em cães e gatos cresce e excesso de petiscos preocupa especialistas

Alimentação em excesso, porções inadequadas e sedentarismo estão entre os fatores que favorecem o ganho de peso dos animais

20/08/2026

Por @clicdovale | contato@clicdovale.com.br
Em Agricultura, Meio Ambiente e Pet

O excesso de peso vem se tornando um problema cada vez mais frequente entre cães e gatos. Embora o Brasil ainda não tenha um levantamento nacional sobre obesidade em animais de estimação, estudos realizados em diferentes estados indicam uma presença significativa de sobrepeso e obesidade.

Uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo identificou que 40,5% dos cães avaliados estavam acima do peso ou eram obesos. Já uma revisão publicada em 2025 aponta hábitos alimentares inadequados, excesso de petiscos, alimentação disponível durante todo o dia e sedentarismo entre os principais fatores relacionados ao problema.

Além de características como idade e castração, a rotina estabelecida pelos tutores pode contribuir diretamente para o ganho de peso. Petiscos em excesso, alimentos destinados ao consumo humano e porções maiores do que o necessário fazem com que os animais ingiram mais calorias do que precisam.

Segundo a professora do curso de Medicina Veterinária da Estácio, Fabiana Quartiero Pereira, um dos erros mais comuns é considerar que pequenas quantidades de alimentos extras não interferem na dieta.

“Normalmente, os pacientes acabam comendo mais do que necessitam. Isso acontece tanto quando a ração fica disponível o tempo todo quanto pelo excesso de petiscos e até de frutas. O problema está nas proporções: uma rodela de banana para um animal de dois quilos representa muito mais do que para um cão de grande porte”, explica.

Quando o animal recebe uma ração nutricionalmente completa e adequada às suas necessidades, a orientação é evitar complementações desnecessárias. Também é importante observar a quantidade diária recomendada pelo fabricante, conforme o peso do pet, e distribuir a alimentação em duas ou três refeições ao longo do dia.

Atividade física também ajuda no controle do peso:

Passeios, brincadeiras e outros estímulos fazem parte da prevenção e do controle da obesidade. Além de contribuírem para o gasto de energia, essas atividades podem reduzir situações em que o animal pede comida apenas para buscar atenção do tutor.

“Muitas vezes o cão fica pedindo comida não porque está com fome, mas porque quer interação. Nesses casos, trocar o alimento por uma brincadeira, um carinho ou um passeio costuma trazer o mesmo benefício para ele”, afirma Fabiana.

A veterinária também alerta que alguns cães podem continuar comendo mesmo depois de já terem ingerido alimento suficiente.

O acompanhamento do peso e da condição corporal durante as consultas veterinárias é uma das principais formas de identificar alterações precocemente. Mudanças significativas no peso ou dúvidas sobre alimentação devem ser avaliadas por um médico-veterinário.

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