Quando a dor vira propósito: mãe se torna terapeuta para salvar a filha da depressão
História real em Teutônia mostra como a busca por respostas transformou uma batalha familiar em missão de vida.
21/04/2026
Por Maciel Delfino | @odelffino | contato@clicdovale.com.br
Em Notícias Gerais

A depressão é uma doença mental que assusta e atinge pessoas de diferentes realidades. Sem escolher classe social, religião ou nacionalidade, ela invade lares e impacta famílias sem aviso. Em muitos casos, a luta é longa e desgastante, nem sempre com desfechos positivos. No entanto, algumas histórias seguem outro caminho, de superação e transformação.
Em Teutônia, Elizandra Correa Schneider, 47 anos, enfrentou de perto essa realidade. Sua filha, Velires Schneider, aos 23 anos, começou a apresentar sintomas da doença. O isolamento, a perda de interesse pelas atividades do dia a dia e a dificuldade de manter vínculos profissionais passaram a fazer parte da rotina. O semblante antes alegre deu lugar a um olhar distante e sem expressão.
Com o avanço do quadro, vieram também crises de desmaios, que resultaram no diagnóstico de epilepsia. A família passou a viver entre consultas, emergências e tratamentos. Mesmo com acompanhamento médico e uso de medicações, a melhora não era significativa. Os atendimentos ocorreram tanto em Teutônia, no Hospital Ouro Branco, quanto em Porto Alegre.
Cerca de um ano e meio após o diagnóstico, Velires tentou suicídio. Na volta de uma consulta, durante a madrugada, Elizandra fez um apelo. “Eu pedi sabedoria para entender o que era a depressão e como ajudar minha filha”, relata.
Depressão após a maternidade
Segundo Velires, os primeiros sinais surgiram após o nascimento da filha. Inicialmente, a situação foi associada às mudanças da maternidade. Ao mesmo tempo, ela havia se formado maquiadora e iniciado o próprio negócio. Com o agravamento do quadro, tarefas simples se tornaram difíceis. “Eu não conseguia nem cuidar de mim, nem da minha filha. Dependia da minha mãe para sair de casa”, conta.

Velires e filha. Créditos: Arquivo pessoal

A terapia como virada
Em busca de respostas, Elizandra conheceu a terapia integrativa. Após iniciar estudos na área, passou a compreender melhor a doença e decidiu aplicar as técnicas com a própria filha. “Durante as sessões, eu era profissional, não mãe”, explica.
Os resultados não foram imediatos, mas, com o tempo, os sinais de melhora apareceram. Aos 25 anos, Velires retomou a rotina e começou a superar a depressão.
Hoje, aos 30 anos, trabalha como gerente em uma franquia de perfumaria em Teutônia, conquistou a carteira de habilitação e adquiriu o próprio veículo.
A experiência transformou a vida de Elizandra, que se formou em terapia integrativa e passou a atuar profissionalmente, com registro no Conselho Internacional de Terapia de Reprocessamento Generativo (CITRG).
Atualmente, ela divide a rotina entre atendimentos terapêuticos, massoterapia e encontros em grupo. “É uma missão. Hoje trabalho com mulheres, começamos em poucas e já somos 40. Encontrar a própria essência não tem comparação”, afirma.
Para Velires, a superação vai além da cura. “Através da minha história, outras pessoas também são ajudadas. Isso dá sentido a tudo que vivi.”
Questão de saúde
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que apenas 9% das pessoas com depressão recebem tratamento. Já o Ministério da Saúde aponta que a doença pode ter diversas causas, como fatores genéticos, alterações químicas no cérebro e eventos traumáticos.
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Maciel Delfino
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